terça-feira, 6 de dezembro de 2016

É nisso que eu acredito.

Música é arte? é comércio? status? Afinal, o que diferencia uma característica de outra? Pergunte-se antes de escolher onde você quer gravar. Sua música TÊM que ter um propósito definido antes da escolha do estúdio. É essencial que o lugar onde você for gravar saiba entender onde você quer chegar e esteja disposto a lutar por esse resultado. Não adianta nada os equipamentos, a infraestrutura ou o "know how" do profissional do estúdio, se não estiver em sintonia com a proposta da banda. 

Não tenho preconceito com estilos musicais, mas meu único objetivo como produtor e estúdio, é buscar a música sincera, própria e autêntica, não importa o estilo. 

Entendo perfeitamente e inclusive, apoio que busca sempre o melhor pra seu trabalho, mas fico com pena de ver quanta gente se ilude, pagando valores exorbitantes para as condições do artista, apenas para ter fotos bonitas no encarte enquanto o som não parece realmente ter adquirido nenhuma característica especial, quando não acontece de perder. E isso nem é culpa dos estúdios, é somente questão de direcionamento, não adianta tentar gravar rock and roll utilizando apenas um computador cheio de plugins e simuladores que a única coisa que você vai conseguir é uma simulação, tipo aqueles jingles de publicidade que são versões de músicas famosas.

Quando chega algum cliente com uma intenção diferente da que me proponho, sou o primeiro a sugerir outros lugares, pois existem estúdios muito bons na cidade, e que não estão tão presos a essa minha ideologia de música/verdade e podem atender bem melhor as necessidades desses clientes.

O Lá em Casa, não é, definitivamente, um estúdio bonito, tão pouco tem a estrutura glamourosa de estúdios maiores, É um HOMESTUDIO, uma casa/estúdio, onde se senta, conversa, ri, e brinca de fazer som.
É um lugar onde o valor cobrado é pra se manter, quase sem fins lucrativos. O que me permite experimentar, demorar, refazer, até atingir aquela sonoridade realmente necessária, a tão buscada VIBE, para a música ser ouvida como ela deve, e principalmente, para o artista ter orgulho do seu trabalho quando ouvir o resultado.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Whole Lotta Rock


Quando concluímos as gravações do Fuzzled Mind, propus a banda Diablo Angel, uma experiência: Gravar uma faixa "ao vivo" no estúdio. A intenção era unicamente experimentar, já que agora eu tinha a banda, o equipamento e conhecimento suficiente pra dar esse novo passo.
Microfonei a bateria apenas com 4 microfones, 1 canal pra voz, 1 pra guitarra e 2 pra guitarra base e baixo (Kira, a vocalista, usa um pedal que "clona" o sinal da guitarra dela e oitava, emulando um baixo). A galera sentou a mão e me convidaram para gravar o solo (único overdub) que tentei manter o clima, de ao vivo, usando a guitarra de Tárcio e improvisando (mal inclusive).
Passaram-se 1 ano até que eu resolvesse levar o experimento a diante e mixar, e já que a brincadeira era fazer com a cara mais ao vivo possível, resolvi mixar usando apenas o que eu tinha em mãos, em termos de equipamento analógico, salvo apenas na voz, pois não havia periféricos o suficiente pra tratar a voz totalmente "fora" então usei um plugin de compressão e EQ. O resultado é esse que vocês podem conferir abaixo. Sendo suspeito pra falar, me impressionei com o que conseguimos e nesse experimento confirmei a teoria de que rock and roll, gravado como deve ser gravado soa muito mais rock and roll.